Desde 2002 fecharam 30% das empresas de materiais
25-05-2011
Texto: Ana Clara
A crise económica obrigou ao encerramento de cerca de 30% das empresas de comercialização de materiais de construção. Quem o diz é o secretário-geral da Associação Portuguesa dos Comerciantes de Materiais de Construção (APCMC).
«Ao nível das empresas associadas, desde que começou a crise no sector da construção em geral em 2002, registámos um encerramento próximo dos 30%», afirma José de Matos, ressalvando que ainda não existem dados oficiais.
Segundo José de Matos, «os dados estatísticos estão muito atrasados» e neste momento «ainda nem estão disponíveis os números de 2009» relativos a encerramentos.
Outros dados da APCMC relativos ao último trimestre de 2010 e referentes às vendas, mostram que o sector terminou o ano em «clima de recessão», com a percentagem de empresas que registou quebras de vendas a subir para os 50%, mais 9,5 pontos percentuais do que no terceiro trimestre.
Ainda assim, o saldo negativo nas vendas do sector, englobando armazenistas e retalhistas, foi inferior ao do trimestre anterior, descendo dos 36,1% negativos para os 34,7% negativos.
De acordo com José de Matos a crise está ligada à «diminuição muito forte da construção nova, sobretudo da construção de habitação», mas também a uma «diminuição das obras de reabilitação».
No entanto, segundo o secretário-geral da associação, «seria pior senão fossem os trabalhos de reabilitação das escolas que decorrem há dois anos».
A reabilitação de edifícios ou de habitação própria é uma das áreas que poderá permitir uma recuperação do sector, mas actualmente isso ainda não acontece.
«Estamos num período de transição e de mudança, com muitas complicações ao nível financeiro das próprias empresas de construção, dos promotores e das famílias e dos bancos», disse José de Matos.
«Será o mercado de futuro, como é no resto da Europa do norte e do centro. É a manutenção dos edifícios, a sua renovação ou reabilitação que representam a maior parte dos trabalhos», referiu, sublinhando que em alguns casos representa 60% do mercado.
Apesar da crise, os preços dos materiais continuam a aumentar, registando-se uma subida de 3,6% no último trimestre de 2010, comparativamente ao anterior.
«Na nossa realidade, que é uma realidade recessiva, os preços acabam por ser determinados pelo preço das matérias-primas e pela evolução dos preços nos outros países da Europa e os países do norte da Europa não têm recessão na construção», explica. |