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«A verdade dos dominantes torna-se a verdade de toda a gente»

25-01-2012

Texto e foto: José Alex Gandum

Esta é uma das conclusões inscritas no livro 'Desigualdades em Portugal - Problemas e Propostas', uma compilação de textos de vários autores coordenado por Renato Miguel do Carmo.

A edição é de Le Monde Diplomatique - edição portuguesa Edições 70. Foi apresentado recentemente por Daniel Oliveira, na Livraria Almedina, em Lisboa.

«As desigualdades em Portugal não se medem só pela diferenciação de rendimentos mas são um problema que interfere num conjunto de sectores da sociedade portuguesa, nas dimensões sociais, económicas e políticas, e que se tornam numa espécie de ciclo vicioso», segundo Renato Miguel do Carmo.

Daniel Oliveira - jornalista e comentador político - concentrou o seu discurso na distribuição de rendimentos, dos pontos de vista salarial e laboral, e na questão da representação política dos efeitos da desigualdade, tendo referido o acordo de 'Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego', aprovado nesse mesmo dia pelos parceiros sociais.

Daniel Oliveira criticou as mudanças laborais e a forma como alguns jornalistas e comentadores se referem aos salários e aos subsídios de desemprego e de inserção, pois «os direitos adquiridos pelos trabalhadores não são privilégios».

Depois fez uma viagem histórica do trabalho, da produtividade e do rendimento, começando pelos Estados Unidos (EUA), mas fazendo um paralelismo com Portugal. Referiu que Portugal ocupa o segundo lugar dos países desenvolvidos com mais desigualdades, só ultrapassado pelos EUA, e antes de Singapura e Reino Unido. Do outro lado da tabela, os países com maior qualidade de vida geral, como a Noruega, Suécia e Japão. 

«Em Portugal o trabalho é visto como um custo, enquanto o lucro e as mais-valias são vistas como um direito natural», continuou aquele comentador, adiantando que os 20% de trabalhadores com mais rendimentos em Portugal recebem cinco a seis vezes mais que os 20% com piores rendimentos. Em 2009 haveria 10% dos trabalhadores a viver abaixo do limiar da pobreza, o que será com certeza superior actualmente».

Para aquele analista, o problema económico de Portugal «são cada vez menos os custos do trabalho», referindo ainda que apenas 27% dos empregadores concluíram a escolaridade obrigatória em contraposição com 37% dos empregados.

Quanto ao livro em si, ele desenvolve particularmente a relação entre as desigualdades e as práticas de cidadania no que diz respeito à participação política, à acção colectiva e às questões de género.

Aborda ainda o fenómeno do trabalho, salientando a sua importância económica e a necessidade de uma melhor regulação laboral. Na área da educação e da saúde, são analisadas as diferentes dimensões sociais do insucesso escolar e o problema da obesidade, enquadrando-se as desigualdades enquanto factor a ter em conta no desenvolvimento e crescimento económico.

Os textos são da responsabilidade de Ana Delicado, António Dornelas, Filipe Carreira da Silva, Hugo Mendes, Isabel do Carmo, José Reis, Josué Caldeira, Mónica Brito Vieira, Nuno Mendes, Renato Miguel do Carmo e Sofia Aboim.

 
   
   
   
     
   
   

 

   
   
   
   
   
   
     
     
     
       
           
     Revista O INSTALADOR 2010                                                                                                                                                                                                                         DESIGN e PROGRAMAÇÃO - Sofia Sequeira
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